Desmistificando o Clasp por Fredy Vinagre

Desmistificando o Clasp: O Mito do “Até dar Excellent!”
Caros alunos e terapeutas,
Existe um erro clássico na comunidade de Biofeedback que precisamos de desmistificar de uma vez por todas: A ideia de que se deve carregar repetidamente nos botões Treat ou Zap até que o computador diga “Excellent!”.
Se estão a ensinar ou a praticar desta forma, estão a ignorar a engenharia e as leis da física biológica com as quais o software Clasp 32 foi desenhado por Nelson. Vamos compreender a verdade científica e pôr fim a este mito usando os manuais originais de Nelson e tudo aquilo que ele me ensinou.

  1. O que é o comando “Excellent!”? (A Teoria do Shaping)
    O som “Excellent!” não é um termómetro de “cura total” de um item, nem valida o sucesso imediato de um Treat ou de um Zap. Ele pertence exclusivamente à Função Shaping (Shaping Function).
    O Shaping baseia-se no condicionamento operante (psicologia behaviorista de Skinner). É um processo pedagógico para o Sistema Nervoso Autónomo do paciente. Quando ativamos o Shaping e definimos uma meta (por exemplo, 55% de Retificação), o computador monitoriza as reações biológicas. No milissegundo em que o próprio organismo do paciente faz um esforço e atinge 56% de retificação da onda, o Clasp 32 deteta e dá-lhe um prémio: liberta o sinal de um neurotransmissor e emite a voz “Excellent!”.
    O objetivo do Shaping é reeducar o sistema nervoso ao longo de 3 a 4 consultas, ensinando o corpo a autocorreger-se sozinho. O terapeuta não tem de forçar nada.
  2. A Função Treat (3 segundos): Informação Pura
    O Treat envia uma assinatura eletromagnética trivectorial pura. O subconsciente do paciente capta esta informação numa fração de 1/100 de segundo (potencial evocado).
    • O Erro: Carregar no Treat várias vezes seguidas.
    • A Consequência: Se repetirem o estímulo consecutivamente, o subconsciente interpreta-o como uma agressão. O sistema do paciente entra em Fase de Alarme e Saturação, destabilizando a Reatividade Eletrofisiológica (EPR) por um período de 24 a 48 horas. O sinal envia-se apenas uma vez. O corpo processa o resto.
  3. A Função Zap (3 ou 9+ minutos): Ressonância Destrutiva
    O Zap foi desenhado para eliminar patógenos (vírus, bactérias, parasitas) através de ressonância destrutiva. A emissão contínua daquela frequência específica desintegra a membrana celular do invasor.
    • O ciclo automático dura cerca de 3 a 5 minutos. Basta fazê-lo uma vez por sessão. O invasor físico não precisa de “aprender” nada; ou implode com a frequência ou não implode. Não há qualquer comando de voz “Excellent!” associado ao Zap que vos obrigue a repetir o processo na mesma consulta.
    Resumo para a vossa Prática Clínica:
    • Não persigam números isolados numa única sessão. A ajuda observa-se através da melhoria real na vida do paciente.
    • Treat: Carrega-se uma vez (envia informação).
    • Zap: Corre-se um ciclo (destrói o patógeno).
    • Excellent!: É o computador a dar os parabéns ao cérebro do paciente por ter feito uma microcorreção autónoma naquele instante.
    Confiem no laço cibernético do Clasp e respeitem o tempo biológico do vosso paciente. Não forcem a ajuda; deem espaço para que o organismo se auto-organize!
  4. Porque é que “forçar” pode fazer pior? (O perigo da Fase de Alarme)
    O sistema elétrico do corpo humano opera através de potenciais evocados extremamente rápidos (na ordem de 1/100 de segundo). O subconsciente capta e reage ao sinal enviado pelo Clasp instantaneamente.
    Se o terapeuta decide carregar repetidamente em Treat ou em Zap na mesma sessão num esforço mecânico e teimoso para extrair um resultado, o organismo do paciente ativa um mecanismo de defesa. O manual estipula que o excesso de estímulos artificiais consecutivos empurra o sistema do paciente para uma Fase de Alarme e Saturação.
    • A consequência clínica: Em vez de ajudar, o campo energético do paciente fica “esgotado” e bloqueado. O sistema bloqueia a Reatividade Electro-Psihologica (EPR) por um período de 24 a 48 horas (podendo chegar a 100 horas em pessoas hiper-reativas). Ou seja, ao forçar, o terapeuta invalida a precisão de qualquer teste ou terapia subsequente, saturando o próprio subconsciente que estava a tentar equilibrar. E aqui estão as reações desconfortáveis que tantos dos nossos pacientes têm após a sessão.
  5. Então porque é que a Retificação (Rectified) do Shaping não é o ideal absoluto?
    O valor de Rectified (Retificação) que aparece no ecrã do Shaping reflete apenas o quanto o software conseguiu inverter e “limpar” a forma de onda distorcida naquele exato milissegundo da consulta.
    Os teus alunos precisam de compreender que esse número não é um certificado de ajuda permanente. Ele é flutuante. Um paciente pode atingir 89% de retificação hoje no consultório porque o laço cibernético o ajudou naquele momento, mas se o seu sistema nervoso autónomo ainda não aprendeu a segurar essa informação sozinho, passadas 24 horas ele voltará a descompensar no dia a dia. Confiar cegamente num número alto e isolado de uma única sessão é ignorar a dinâmica viva do paciente. A ajuda real vê-se pela estabilização do teste ao longo de várias semanas, e não por uma percentagem isolada.
  6. Será que se deve começar com um Shaping baixo (ex: 50% ou 55%)?
    A função Shaping baseia-se na teoria do condicionamento operante de Skinner (recompensa biológica). O objetivo é dar um “prémio” (o som “Excellent!” e a libertação de Serotonina) sempre que o corpo atinge a meta estipulada pelo terapeuta.
    Se estás diante de um paciente crónico, muito ansioso ou debilitado, o sistema elétrico dele está enfraquecido e caótico.
    • Se o terapeuta deixa o Shaping no padrão de 85%, a fasquia está alta demais para aquele organismo doente. O paciente vai passar a terapia inteira a falhar o alvo, não vai receber nenhuma recompensa biológica e o cérebro dele não vai aprender nada.
    • Ao baixar o Shaping para 50% ou 55% nas primeiras consultas, o terapeuta está a facilitar o exercício neurológico. O corpo do paciente consegue atingir essa meta mais facilmente, recebe o estímulo de recompensa repetidas vezes e começa a memorizar o caminho da autocorreção. É um processo pedagógico: primeiro ensina-se a base (50%) e, à medida que o paciente evolui nas consultas seguintes, sobe-se a dificuldade (para 75%, 80% e finalmente 85%).
    Resumo: Forçar satura o subconsciente (piora o paciente). A retificação é um dado instantâneo e não um milagre instantêno. E começamos com o Shaping baixo porque não se exige que um atleta corra uma maratona logo no primeiro dia de treino; primeiro reeduca-se o corpo com metas pequenas para que ele ganhe força e aprenda a regular-se sozinho!

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